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quinta-feira, 28 de julho de 2016

O que me assombra

Me assombra

Mirar o passado e não mais me ver naquelas polaroides
Andar por ruas desérticas de seres inalcançáveis
Penetrar o olhar gélido do magnata descalço com seu terno de grife
Acordar-me para a Terra agonizante com seus rios esvaziados
Perceber que o sangue se esvai em corações enfraquecidos
Ver cavalos puro sangue trotando em fuga ao avanço da artilharia
O ferro contorcido que destrói o humano em nós
A espada que presa à bigorna mata nossos mitos

Me assombra

O chocalhar incessante dos sinos da catedral anunciando o fim da guerra
O beijo profundo, atemporal e único dos amantes na ponte Neuf
O arrepio no final da espinha quando canto Geraldo Vandré
Nuvens de desenho animado no céu anil da cidade dos meu sonhos
O riso farto da criança quando seu pai a atira pelos ares levando meu coração à boca
O riso nervoso da bailarina em agradecimento à salva de palmas incessante
Crianças e cachorros correndo atrás das bolhas de sabão furta cor
Um barco a vela navegando rumo ao último porto seguro da Terra

E porque me assombra isso ou aquilo
Escrevi esse pequeno poema
Sem rimas ou métricas
Que me aprisionasse em conceitos
E engessasse minh'alma
Fazendo fugir o coração


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